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Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Paroxismo de Lirismo

Estendida sobre um leito estreito que cheira à velhice malograda. Profundamente inerte entre papéis com rabiscos disléxicos, quinquilharias e livros incompletos. A consciência atordoada pela inércia eterna, agonia lancinante e ansiedade dessa véspera ininterrupta de mudança.  O tempo é medido pelo estralar repulsivo da cartela de remédios e pela frequência com que reaquecemos o café.     Esforço-me para revisitar uma memória doce. Você tinha um maiô amarelo, uma orquídea fresca nos cabelos negros esvoaçantes e um balde cheio de promessas.Você colecionava conchas e tinha medo de algas.O sol era escaldante e o corpo encharcado de sal. O mar tremeluzia agoniado, era meio-dia. Eu corria eufórica para o oceano , com a areia quente sob meus pés.     Momentos frescos, momentos novos. Quando sua única preocupação era : Onde iríamos comer?tomaríamos sorvete depois?E se não tivesse o sabor rosa? Mas essa lembrança se esvai como a água salgada,ardendo ao escorregar fugidia...